A Hiperactividade vista à lupa

Quarta-feira, 29 de Abril de 2015

Boa tarde,

Antes de mais, gostaria de deixar bem claro que não tenho como intenção apontar o dedo a ninguém, nem julgar, nem reclamar. Apenas gostaria de partilhar convosco a minha experiência e, quem sabe, talvez um dia possa ajudar alguém para que não aconteça com mais ninguém o que nos aconteceu.

O meu filho, depois de 10 anos de muita luta, foi finalmente diagnosticado com Síndrome de Asperger, em Dezembro passado. Sempre tivemos muitos problemas com ele e, principalmente a escola, devido ás suas dificuldades na interacção social.

O inicio deste ano escolar foi particularmente difícil. Mudou de ciclo e, como tal, de escola e de DT - tudo coisas que por si só já são complicadas. O pior foi o Director de Turma que mudou. O do ano passado era um anjo vindo do Céu para o orientar e ajudar. Ele sentiu muito essa "perda". A nova DT é uma pessoa muito agressiva, fria e sem qualquer paciência para alguém como o meu filho.

Fizemos várias reuniões com a escola, sozinhos e com a presença de uma psicóloga privada que contratámos, já que o SNS achou que ele não carecia de acompanhamento, com o intuito de pedir ajuda para ele - para os consciencializar para as dificuldades dele e a necessidade de uma abordagem um pouco diferente, mas a escola recusou veementemente em aceitar que ele tinha sequer qualquer dificuldade ou problema! Tinha no seu Plano de Educação Individual as adequações que o serviço de Educação Especial achou conveniente e mais nada. No ponto de vista da escola, tratava-se de um miúdo preguiçoso e pouco disciplinado, mas que de resto era tão normal e adaptado como qualquer outro aluno, e a carga negativa foi fulminante desde o primeiro dia.

Pedimos para valorizarem o positivo. A resposta foi um ataque brutal a TUDO de negativo. Implicaram porque não fazia os TPC. Pedimos ajuda para ele os fazer na escola, pois em casa, na cabeça dele, não era lugar para fazer as coisas da escola. A escola recusou. A disgrafia dele mantinha-se acentuada. Pedimos á escola que o deixassem entregar trabalhos em suporte digital (no PC). A escola recusou. Ele, ao abrigo do artigo 3/2008 deveria de estar numa turma de tamanho reduzido. Foi recusado e ele integrou numa turma de quase 30, incluindo alunos repetentes e destabilizadores.

O resultado do primeiro período foi uma desgraça. Teve 3 negas. Fiquei aterrada, pois ele é aluno de inteligência acima da média que nunca tinha tido notas semelhantes a estas. Falámos com ele e resolvemos fazer um acordo e um esforço para melhorar. Sem qualquer ajuda ou envolvimento da escola, ele no final do segundo período tinha subido de 3 negas para apenas 1 e ainda teve 5 quatros! Subimos todos aos céus de felicidade. A resposta da escola foi considerar que ele tinha tido apenas uma "ligeira melhoria" e que iria manter a imposição total do seu cumprimento com todos os projectos propostos.

No inicio do 3º período tudo piorou dramaticamente. O meu filho estava desanimadissimo com a reacção da escola ao seu esforço monumental. Na 6ª Feira passada, depois de mais uma reclamação da escola por ter TPCs inacabados/mal feitos aconteceu o que não desejo a NINGUÉM neste mundo. O meu filho acabou por pôr termo á vida. Tinha 14 anos.

Sabíamos que ele estava sob uma pressão desumana por parte da escola mas nunca, NUNCA em mil vidas nada os levou a pensar que isto seria sequer ponderável.

Portanto, deixo aqui um apelo para TODOS os professores e pais deste país e deste mundo. A vida de uma criança é o nosso maior tesouro. Por favor, NUNCA desvalorizem um pedido de ajuda de uma mãe. Não há NINGUÉM neste mundo que conheça melhor o seu filho do que ela. Se ela acha que precisa de ajuda, ajudem. Mas ajudem de coração. Nem que seja por indulgência, porque a dor que uma mãe sente ao perder um filho por quem pediu ajuda a tantas pessoas, tantas vezes e com toda a força que tem é algo que é indescritível.

Não aceito que qualquer situação politica justifique a falta de humanidade que hoje se vive diariamente nas nossas escolas e na nossa sociedade, sob desculpa de "cortes" e "crises" e afins. Somos humanos. Os nossos filhos são o nosso futuro. Professores e pais deviam de ser uma equipa, não inimigos.

Apelo, de coração destroçado, para que algo ou alguém mude a mentalidade de quem tem o poder de alterar mentalidades para que as nossas crianças deixem de ser consideradas um fardo que têm de ser educadas, e que passem a ser vistas como seres que carecem de orientação de quem já viveu o suficiente para os poder ENSINAR. Respeito, consideração, compaixão - são coisas que se ensinam em casa, é verdade - mas que devem de ser reforçados na escola. Lamento profundamente que hoje em dia isto puro e simplesmente não acontece.

Desejo a todos muita paz e todas as bênçãos do Alto e o meu muito obrigado por me ter sido permito este desabafe.

 

Esta Mãe chama-se Ana Sheila Martins e este foi o relato que partilhou no grupo Asperger Portugal. Podia ser um relato meu, um relato de qualquer outra Mãe que tenha uma criança com este tipo de perturbação...as tais crianças «diferentes» que ninguém sabe como incluir, que a sociedade julga sem ter direitos para isso, as tais crianças que «dão muito trabalho» e «desgastam» um professor...

Tal como diz a querida Gisela do Grupo de Perturbação de Hiperatividade, devemos refletir!!! e nunca, mas NUNCA minimizar o que eles nos contam ou o que sofrem diariamente!! Por favor NÃO IGNOREM!! todos temos responsabilidade nestas situações - é a nossa complacência enquanto cidadãos que permite sistemas desadequados persistirem, como o nosso «sistema educativo»!

 

 

postado energia-a-mais às 11:25

Segunda-feira, 26 de Novembro de 2012

 

 

do que o medo de perder um filho...tenho a certeza de que a maioria dos pais pensa assim. A vida dos filhos é sempre algo de valioso e eterno, pois acreditamos que não os veremos «partir» antes de nós

 

Claro que felizmente para a maioria de nós, os dias sucedem-se sem que os pensamentos de tal medo nos invada a mente, pelo menos não a tempo inteiro. Sabemos que estão ocupados nos seus afazeres diários, escola, atividades, regressar a casa...afinal, a não ser em condições de exceção (doenças, acidentes) não tememos por eles, mais do que o «normal» temor

Mas quando temos em casa um pequeno «furacão» que desafia o perigo com a maior das naturalidades, começamos a perceber melhor aquela velha máxima de que a vida muda «num segundo».

 

O Quico sempre me deu muito que fazer, no que diz respeito à atenção que tenho de manter para que não se meta em apuros. Já por cá comentei da sua aparente ausência de receios e do fascínio que sente por janelas, equilibrismos e performances várias que incluem sempre muita energia e total falta de cuidado. Para ele não há que temer as alturas e nunca se sente incapaz de saltar por mais longa que seja a distância ou por mais alto que seja o obstáculo. Muitas outras vezes, decide-se a avançar estrada fora, tentando inverter o sentido dos automóveis que passam...

Quando se sente bem, faz «habilidades» que nem os mais destemidos fariam sem muito treino, quando quer chamar a atenção de alguém, é às sua aptidões físicas que recorre...quando está zangado ou frustrado, faz questão de demonstrar todo o seu potencial. Nesta última semana andou particularmente enérgico, elétrico tanto em casa como na escola. Escusado será dizer que trouxe as habituais «bolinhas» do comportamento a vermelho...aliás todos os itens a vermelho, pois quando anda mais eufórico, a sua concentração e motivação para o trabalho na escola é ainda menor.

 

Num dos dias ficou de castigo por ter estado a fazer asneira na hora de almoço na cantina, jogando comida com outros dois miúdos e acabando por sujar até o teto com massa. Ora é evidente que o castigo foi merecido e o ter de limpar as mesas foi entendido como algo que serviu para mostrar que a escola é um espaço para ser respeitado e quem não cumpre as regras deve sofrer consequências. Neste caso, sujou -teve de limpar. Mas este castigo, aliado à pressão de não conseguir terminar as tarefas diárias na sala de aula, o não conseguir manter-se mais sossegado, foi acumulando e ao final de quinta feira explodiu de forma violenta...

 

O regresso da escola foi super atribulado. Como às quintas ele sai da AEC às 17h30, coincide com o meu horário de saída, pelo que o regresso a casa é feito comigo. Pois no carro, revivi cenas que passei com o mais velho, como o andar aos pontapés a tudo, virar a cadeirinha, ter de o segurar para que não se atirasse para a frente, tapando a visão do avô que conduzia.

Quando entramos no prédio, ele vinha exaltado e com vontade de fazer estragos. Num repente passou a perna para fora do corrimão da escadaria, ficando praticamente suspenso do lado do fosso que dá para a garagem, a dois pisos de altura...foi arrepiante. Num impulso tentei tirá-lo de lá agarrando-lhe a mão mas perante a minha aflição ele ficava cada vez mais histérico e puxava a mão com toda a força fazendo com que se afastasse da zona onde ainda lhe podia chegar. A imagem que tenho é a de pensar naqueles segundos que me pareceram uma eternidade, que a manga da camisola que eu tentava a todo o custo prender, acabaria por solta-se e a queda dele seria fatal. Um medo maior apoderou-se de mim...a ponto que nem me lembro de como de repente, ele passou para o lado de dentro do patamar!

 

A crise de choro que ele teve já na hora de deitar, depois de muito braço de ferro contínuo, foi para ele, a expulsão final dos nervos acumulados e da tensão que viveu nesse dia...eu, tremi por mais duas horas debaixo do edredon e não era o frio que me fazia tremer...

 

 

 

postado energia-a-mais às 09:08

Sexta-feira, 18 de Maio de 2012

 

o Quico

 

«mãe, as pessoas quando ficam muito velhinhas, assim como a nossa velhinha, morrem?»

 

eu (pensa Teresa, vê lá o que dizes para não o traumatizar)

 

«humm, sim...acabam por morrer Quico»

 

ele

 

«mas eu não quero morrer mamã...»

 

eu (ai, tadinho, já a pensar nestas coisas)

 

«sabes, não precisas de pensar nisso agora, ainda falta muuuuuito tempo para seres velhinho»

 

ele

 

«mas onde ficam depois as pessoas mamã? vão para o céu?»

 

eu (pronto é agora, tem cuidado Teresa, pensa bem...)

 

«sim, algumas vão para o céu...»

 

ele

 

«porque vão para o céu mamã?»

 

eu (não dês explicações longas, olha o trauma...)

 

«porque é um bom sítio para se ficar depois de morrer...»

 

ele

 

«e onde comem? nos restaurantes?»

 

eu (caramba...como foi ele pensar nisto?)

 

«bem, sim, nos restaurantes do céu...»

 

ele

 

«mas os restaurantes são pesados mamã e as nuvens são frágeis...»

 

eu (ui...frágeis? o rapaz tem conceitos avançados, pensa no que vais dizer...)

 

«bem, depois de morrer tudo fica muito leve...mesmo as pessoas e os restaurantes...»

 

ele

 

«bem....espero que a lasanha não voe mamã!»

 

{#emotions_dlg.lol} opá! a cabeça deles é mesmo «descomplicada»! porque é que temos de complicar ao longo dos anos?

 

 

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 09:13

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