A Hiperactividade vista à lupa

Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2015

não há uma idade certa para a mudança de idade...

 

Mas os 13-14 marcam sem dúvida alterações importantes na vida de qualquer (pré)adolescente, não só física mas sobretudo a nível emocional e de atitudes, são alterações a que todos os pais devem estar atentos. E quando são portadores de patologias que afetam o seu desenvolvimento comportamental como a PHDA e/ou o autismo, muitos já com terapêutica iniciada na infância, com percursos escolares nem sempre fáceis, então essas alterações exigem na maioria dos casos, novas adaptações!

 

Com o mais velho, desde mais ou menos os 12 anos que notei alterações importantes - certas caraterísticas da PHDA acentuaram-se (impulsividade, agressividade) outras atenuaram (a agitação motora é menos notória), outras ainda parecem estar iguais (distração, falta de atenção) e claro as comorbilidades variam mas tornaram-se mais evidentes.

 As reações à medicação essas, alteraram-se - eu costumava dizer que tinha dois filhos em um, antes do meltefedinato e depois do meltefedinato! Existia uma linha que definia bem quando ele tomava o comprimido - sentia-se na forma como nos falava, como encarava qualquer tarefa, como se concentrava na escola. Apesar de fazer com frequência ajustes à dosagem para que esta se adequasse ao seu ritmo de crescimento e dos próprios horários escolares, essa linha começou entretanto a ficar cada vez mais esbatida.

Ao fim de um período letivo, já o efeito de meltefedinato se tornava menos evidente e sobressaía cada vez mais os efeitos indesejáveis - maior agressividade, menos apetite, menos sono, maior dificuldade em equilibrar atitudes e comportamentos. Aos poucos foi-se retirando o meltefedinato e iniciando terapêutica para estabilizar as variações de humor e de sono. Claro que não foi fácil esta adaptação. Foi necessário ultrapassar certos obstáculos na escola, o ano letivo passado foi bem duro, com as notas a baixarem drasticamente e muitos recados na caderneta. Iniciou acompanhamento psicológico mais frequente e reforçaram-se as estratégias em casa, tanto com terapia comportamental como com apoio para o estudo.

O seu Asperger está presente no modo como encara as relações sociais e também nos seus interesses particulares, temas de obsessão que condicionam o seu mundo. Está cada vez mais irascível e difícil de lidar, no entanto, alterna com momentos de pura infantilidade. Aumentamos entretanto a dose de risperidona e de momento é o único medicamento que toma.

 

Com 14 anos acabados de fazer, o meu filhote está a procurar ajustar-se ele próprio! é bom sentir alguns «tiques» típicos da adolescência, embora saiba que ele nunca irá passar por certas fases padrão, dado que o seu «padrão» é diferente!

 

Como mãe, estou em aprendizagem, procurando não dramatizar nem desvalorizar essas alterações! espero ter capacidade para discernir o que se vai passando, acreditando com fé que como qualquer mãe, nunca irei compreender a «estupidez típica» destas idades!!!

 

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 10:58

Segunda-feira, 02 de Junho de 2014

 

 

Conquistas!

 

São sempre motivo para assinalar, ainda mais com crianças especiais. Um pequeno passo deles e percebemos que vale a pena insistir, que desistir não é opção, mesmo que o tempo nos desgaste 

 

Uma das caraterísticas mais constantes ao longo das etapas de desenvolvimento do Rafa, sempre foi a sua grande resistência às mudanças. Desde as mais simples, como alterar a taça onde come os cereais, à fronha da almofada, passando por mudanças de visual, tipo corte de cabelo...quem o conhece sabe bem a dificuldade de mudar um tapete de casa, mudar a disposição de móvel ou até de mudar os pratos onde se costuma comer! 

 

Os locais que frequenta também são sempre os mesmos - o primeiro local onde o levei para tentar cortar o cabelo, acabou por se manter até hoje, as tentativas também! desde o saltitar do início dos primeiros tempos, em que nada ficava no lugar depois da sua saída (excepto o cabelo que permanecia praticamente sem alterações, as poucas tesouradas conseguidas serviam apenas para «aparar» as pontas). Resultado de toda a sua impetuosidade e impulsividade, as nossas visistas à M. tornaram-se um ritual, onde alternava vómitos com sérias tentativas de se manter no sítio o tempo suficiente para umas breves espontadelas.

 

Para contrariar esse sua inflexibilidade nas mudanças, muitas vezes o faço ver os nossos exemplos «a mãe muda de corte e até cor de cabelo e continua a ser a mesma! o mano corta e o cabelo volta a crescer! a mudança traz coisas positivas como o refrescar da pele do rosto e um novo look que toda a gente precisa de vez em quando!»

 

E, de repente o meu rapaz acede a um corte de cabelo à séria! daqueles em que o cabelo é mesmo cortado! por decisão sua, sem alaridos, sem imposição, lá vai ele confiante para a cadeira da M. E sai de lá com um corte bem diferente do habitual! Foi tão fixe!

 

E mesmo que isso o tenha afetado ao ponto de se notar o nervosismo dele nos gestos e olhares ao espelho, do acordar cedíssimo para ver se tudo estava bem e do tempo que demorou a olhar para a cabeça, valeu a pena ver o seu contentamento por ter conseguido algo que outros meninos da sua idade conseguem sem dificuldade - a mudança!

 

 

 

postado energia-a-mais às 14:22

Domingo, 30 de Dezembro de 2012

 

 

e não se compadece com atribuladas viagens de Vida

 

porque este não foi um ano fácil, por cá tivemos dias bem agitados e super endiabrados. Nem as festas fazem dois enérgicos rapazes ficarem exaustos, aliás fazem estes enérgicos diabretes ficarem ainda mais eléctricos! Cada segundo que passamos por casa foi mais um momento de desgaste. E com momentos assim, não há «elasticidade» nem paciência que dure....

 

Foi um ano de mudanças...um ano de perdas, algumas aprendizagens - não necessariamente felizes. Logo em janeiro passei à condição de desempregada. Sem trabalho perdemos algum desafogo que se começava a vislumbrar após anos de luta e muita precariedade. Também o pai se viu a braços com a perda de estabilidade depois de cinco anos de trabalho em espanha e decidiu rumar para outras paragens, perdendo cada vez mais a já frágil ligação que mantinha com as crianças e comigo. Perdemos portanto enquanto família, o pilar da proximidade. E não, ninguém venha dizer que com as novas tecnologias do longe se faz perto, porque não há tecnologia que substitua o abraço paternal, o beijo na hora do dormir, o ombro para se encostar.

Mudei entretanto para a condição de «desempregada com ocupação a tempo inteiro», uma genial invenção do estado para conseguir manter o mísero subsídio a que tenho direito. Perdi autonomia, perdi confiança nas minhas capacidades, perdi motivação. 

Os meus pais perderam este ano muito da sua saúde. Sempre em permanente desassossego, desgastados pela luta de vigiarem dois miúdos com PHDA e com tarefas que já exigem demais para as suas idades e competências. Perdeu a minha mãe, cujo acidente em abril a atirou para meses de recuperação dolorosa e perdeu o meu pai, cuja saúde nos pregou um susto grande demais para ser ignorado.

 

Este foi o ano de entrada no ensino básico para o Quico. Entrada difícil a prever muitas horas de luta. Já perdi muitas horas de sono à conta desta nova etapa e irei perder muitas mais (farei post sobre este assunto pois há muito para partilhar aqui)

O Rafa está desde a metade deste ano a «viver» uma nova obsessão e muito perde à sua volta pois não mostra qualquer interesse para além daquele - quem com ele tem de (con)viver, quase perde o juízo, aprendendo ainda como lidar com esta nova fase!

 

2012 não me deixa saudades. O novo ano que se aproxima não vem risonho. Estou a ser muito dramática? talvez, sempre fui de grandes convicções - até na tristeza!

 

Se porventura tenho alguma esperança que isto vá melhorar? Não. Não no sentido que todos gostaríamos, não como país, como povo, como nação. Não vamos ter mais emprego em 2013, não vamos ter melhores condições de vida, não vamos ter melhores escolas, melhores hospitais. Não vamos deixar de ouvir falar em austeridade e não vamos deixar de viver com as moedas contadas, para que o governo as venha buscar em impostos...

Mas uma coisa vos digo - tenho dois filhos  que vão viver mais um ano das suas vidas na mais absoluta das certezas - esta mãe vai manter tudo no lugar. Vai sempre dar-lhes o melhor de si própria, vai continuar a ensinar-lhes que podemos ter o que queremos, se nunca deixar-mos de acreditar. 

 

em 2013 o mundo não pode parar - a nossa Vida também não!

 

 

P.S - não podia terminar sem a minha pontinha de ironia - pois não é que perdi a chave de casa? até isso me aconteceu....xô 2012, xô!

 

 

 

postado energia-a-mais às 09:13

Segunda-feira, 12 de Julho de 2010

 

Sabem quando tudo acontece ao mesmo tempo?

 

cá em casa foram móveis novos, pinturas e a chegada do papá...querem motivos maiores para que a casa esteja do avesso?

 

e claro está, temos que contar que com miúdos sem travão de qualquer espécie, tudo é muito agitado...apesar do Rafa andar nestes dias a tomar a medicação, parece que o efeito não é muito visível (talvez porque o peso dele exija outra dose)

 

Por tudo isto, razões para «postar» foram muitas, estes dias, tempo é que foi mesmo pouco...

 

Mas vamos agora tentar servir um prato completo!

 

pois que o post anterior (o tal dos marcianos) não veio à toa...

 

 

 

 

ora veja-se, o Rafa quando teve de escolher o desenho que o identificava no cacifo do infantário - escolheu um ovni!

 

e o Quico é a imagem dum marciano no perfil de entrada para a sua conta do «Magic Desktop» no pc

 

portanto acho que lhes corre nas veias algum sangue «verde»   Isso fez-nos pensar num tema assim «do outro mundo» para a nova decoração do quarto deles. Começamos por pensar nos móveis primeiro, dado que o Rafa nem cama tinha e limitava-se a dormir no colchão, como aqui dei conta...A cama do Quico ainda é bem recente, portanto e como por enquanto os mantemos no mesmo quarto, remodelamos o espaço do mais velho, acrescentando à cama nova, uma secretária, cadeira e alguns novos adereços! mas a pintura, isso é que faz toda a diferença - como vos venho a comentar nos posts que por cá deixo, as paredes de casa estavam tão riscadas que já nem sabiamos qual a sua côr original...

 

Com o meu pai a ajudar (dado que o meu marido só veio na quinta feira de tarde) iniciamos uma semana de pinturas, remodelações e muita confusão! na segunda feira decidimos que não só o quarto mas também a sala precisava de um novo toque, portanto coube ao pintor dar o pontapé de saída...que só foi efectivo na terça feira, logo o dia em que nos vieram entregar os móveis...pronto, de manhã deu para acertar os detalhes da côr, de tarde os móveis foram a prioridade, por isso, começar mesmo só na quarta, já os miúdos anadvam num histerismo decortar a respiração....

 

E como se estava com a «mão na massa», ou antes, o pincel na tinta, acabamos por mandar pintar toda a casa e não apenas as tais divisões que agora receberam os novos móveis! foi um fartote - tanto que ainda faltam dois quartos, uma despensa, e duas varandas interiores...eu avisei que a casa era grande!

 

 

Peripécias muitas - garanto que pensei muitas vezes em como devia ter instalado uma câmara de filmar para que tudo ficasse registado em imagens! mas como não o fiz, passo ao registo possível por escrito

Logo que se aperceberam das mudanças, os miúdos fizeram grande algazarra, claro! insistiam em que queriam escolher a côr e já discutiam quem pintava o quê...foi dificil mantê-los longe dos pinceis, rolos e tintas, tanto mais que o «estaleiro» era a minha casa de banho principal. O escadote também foi devidamente apreciado, deu para trepar a servir de árvore para um «Hulk» pequeno em tamanho mas grande em imaginação, saltar depois para cima de um «gormiti» que dava sempre resposta, o que obrigava uma mãe leoa a puxar cada um para seu lado!

 

Na entrega dos móveis, aposto em como os dois senhores que não nos conheciam de lado nenhum, continuam a comentar noutras casas a loucura de um menino matulão, aos saltos quase em cima deles, gritando com vontade e garra umas frases do tipo «é a minha cama yeeeee! allé allé, a minha caminha...» e tentando ajudar em tudo - desfazer as caixas, montar as peças, aparafusar, enfim, sempre que um dos homens tentava chagar ao sítio, encontrava lá o Rafa ! felizmente o meu pai levou com ele o Quico quando foi buscar a minha mãe ao trabalho e demoraram-se por lá...assim só tive de controlar a euforia de um! mas não me livrei de o ver anunciar a plenos pulmões que «agora o papá pode dormir no sofá quando vem a casa, porque a mãe está sempre a dizer que ele ronca...e como o sofá é graaaaande, o papá cabe lá!» Os senhores riram-se imenso mas eu vi bem que tipo de risinho estavam eles a fazer...

 

Outra cena bem ao nosso estilo, foi quando o Quico quis iluminar com uma pequena lanterna, a pila do pintor....e sempre que passava pelo homem beliscava-lhe uma parte do corpo....uma ideia magnífica que lhes passou pela cabeça foi colocarem uns plásticos que serviram de protectores do chão, em  cima da minha cama e cobrirem-se com eles...outra foi terem mantido um desgraçado «ruca» dentro de uma das latas de tinta por tempo indeterminado...

O meu maior receio eram as horas em que a tinta ainda fresca não permitia toques, dedadas e afins...tive de andar sempre a desviá-los para fora de casa e contei com a minha sogra (coisa rara e que dava outro post) que se prontificou a ficar com eles por umas belas horas num dos dias!

 

Ora, feitas as contas finais, ficamos com - entrada principal, entrada para os quartos, varanda dos brinquedos, quarto dos miúdos e sala - tudo pintado de novo! sofá, mais umas remodelações na sala e cama nova, novos adereços no quarto deles.

Acho que ainda não estou em mim - de facto a casa parece outra! e quem acha que uma sala sem sofás até é «ultra-fashion» é porque não passou os últimos 4 anos e meio a usar umas pouco confortáveis almofadas no chão, sem ter onde sentar as visitas (ainda que poucas) e sem saber o valor do conceito «enroscados no sofá»...

 

Mas, nunca seria a nossa casa sem riscos e mossas - por isso as paredes já têm algumas mazelas (uma delas é na sala, precisamente junto ao belo do sofá, feita com os pés do Rafa ainda de sapatilhas...) que poderão ser desfeitas durante os próximos dias, uma vez que ainda vamos terminar as outras divisões...

Entretanto a chegada do pai na quinta feira deu azo a novas e variadas formas de excitação, cada um deles querendo ser o primeiro a mostar as novidades, quais guias turísticos de zonas nunca vistas...O pai por seu lado mostrou-se sempre atarantado com tanta correria e mudança e parecia mais tonto que os filhos, fazendo cada disparate que me deixava em lágrimas (algumas de riso, outras nem tanto!) - tipo: encher a máquina de lavar roupa com tanto tapete de camião que a coitada nem rolava o tambor...ou deixar a porta do frigorífico aberta toda a noite...e deixar a máquina do pão com tudo lá dentro mas sem a ficha ligada

 

Eu entretanto gostava de colocar algumas fotos dos novos cenários mas ainda não consigo neste post...vamos ver se depois das coisas acalmarem tenho tempo para isso. É que para além de faltar ainda pintar umas quantas coisas, temos a visita de uns senhores que nos vão fazer um tratamento do sofá, dizem que para garantir que nunca ficarão manchados por alguma nódoa (parece que garantem 10 anos de perfeição...eu cá contento-me com metade - isto se o sofá ainda existir nessa altura!)

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 09:00

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