A Hiperactividade vista à lupa

Terça-feira, 14 de Janeiro de 2014

 

 

que se vê obrigada a resolver de forma prática as mais variadas «impulsividades»

 

Se às vezes me parece que o Rafa vai dando mostras de alguma maturidade, outras tantas mostram-me o oposto - a infantilidade dele raia muitas vezes o impossível...

Como na manhã de segunda feira em que teimosamente se recusava ir à escola - argumento? o irmão foi autorizado a ficar em casa (dado que se encontrava a recuperar de uma infeção na garganta, facto que para o Rafa era irrelevante!) logo, ele teria de ficar também....e de nada valia contra argumentar porque ele simplesmente nem nos ouve! parece-me nessas alturas absurdo vê-lo tão irredutível na sua teimosia, com quase 13 anos, será que não entende??? mas depois lembro-me que não estamos perante uma questão de vontade...o Rafa não consegue, não porque não queira mas porque não pode. E nem sempre fica fácil aceitar...

 

De qualquer modo, lidar com estas situações é quase o pão-nosso-de-cada-dia! e claro, há coisas que vou aprendendo. Por exemplo, se quiser fazer braço de ferro com o Rafa, tenho de me certificar de que disponho de pelo menos dois recursos inesgotáveis - paciência e tempo! ora nem sempre disponho de ambos, assim, do pé para a mão! então há que encontrar outros recursos...

 

Recuar nem sempre significa perder...por vezes tenho de recuar para ganhar em estratégia! e foi o que fiz, recorrendo a outro recurso de que as mães são peritas - a determinação! Assim, em vez de perder tempo a discutir com ele, simplesmente desisti e parti para o contra golpe. Ignorei a sua teimosia e marquei no relógio o tempo que tinha para se acabar de arranjar de modo a sair de casa, se não estivesse pronto na hora determinda eu, entretanto já pronta, saíria naquele instante e iria ter à comissão de proteção de menores para que alguém ficasse responsável pela sua ida à escola. Como a determinação está escrita no meu olhar, o Rafa começou a dar sinais de ceder. Acabou por, embora relutantemente e sob protesto, terminar a tarefa de se vestir e arranjar. E saiu quase empurrado para o carro onde o avô já o esperava. O problema foi que o Rafa continuou a protestar, desta feita, decidindo que não levava o saco de desporto, argumentando que não iria fazer essa aula...

 

Eu podia deixar a coisa assim e depois tentar resolver com a escola mais esta falta...podia - mas estava determinada a não o deixar levar a dele avante! aliás a lição teria de ser no imediato pois de nada me valeria deixá-lo faltar e só depois o castigar por isso! Montei então o esquema (e daí a figurinha que me sujeitei...)

Ora, confirmada a hora da aula, controlei o tempo e antes da aula anterior terminar, pedi na portaria que me fossem entregar (na sala) um bilhetinho ao Rafa. No bilhete escrevi «Estou na portaria. Vens buscar o saco para fazer a aula de educação física ou queres que peça para falar com a professora? Mãe!). Como o bilhete foi entregue na sala, a professora que estava com ele na altura também o leu...e posso imaginar o que terá passado na cabeça do meu filhote, fervilhando com certeza! a verdade é que logo a seguir no intervalo anterior à dita aula de EF, ele veio buscar o saco...não me deu uma única palavra, nem eu lhe falei.

 

Em casa, foi como se nada de anormal se tivesse passado, coisa a que já me habituei. Apenas após a toma da medicação da noite resolvi voltar ao assunto e sinceramente espero que não me faça nada parecido por uns tempos! 

 

 

postado energia-a-mais às 11:05

Quarta-feira, 10 de Julho de 2013

 

do Rafa

 

para quem acompanha (mesmo que não de forma assídua) este blog, este tema já não é propriamente novo. Já por cá falei algumas vezes de uma das facetas mais difíceis de gerir com o meu filho mais velho, desde que foi diagnosticado como tendo uma grave perturbação do comportamento, conhecida clinicamente como TOD (transtorno de oposição/desafio), uma das comorbilidades associadas ao seu tipo de PHDA.

Neste post faço um resumo de como lidar com este distúrbio e das dificuldades que enfrentam todos os educadores que são obrigados a testar estratégias para alcançar bons resultados com crianças desafiantes.

Claro que o mais complicado continua a ser a imprevisibilidade de reações explosivas que nem sempre são detetadas a olhos menos treinados ( mesmo para quem está habituado, por vezes surgem tão efervescentes e tão subitamente que nem nos apercebemos). No Rafa surgem como do nada, ou por motivos para nós tão subtis que nunca nos passaria pela cabeça, olhar para eles em pormenor.

Sempre foi assim, com o passar do tempo começaram a ser mais ou menos entendidas por nós adultos, como tal, começamos a ter meios de combater essa situação mais tranquilamente. No entanto, são sempre motivo de grande tensão, muita incerteza em relação ao desfecho e muito complexas para serem compreendidas pelo irmão mais novo...

 

Ultimamente e dado que estou «presa» sem férias num CEI, os meus pais são o pronto-socorro de plantão, com enorme desgaste para ambos e com cada vez mais pressão familiar. Reconheço que me sinto impotente pois fazer a minha casa funcionar sem eu estar presente fisicamente é, para os que ficam lá a comandar, uma autêntica batalha. E os meus pais, embora sejam os únicos (para além de mim própria) que conhecem intimamente todas as caraterísticas dos meus meninos e tiveram desde sempre grandes doses de informação e técnicas para lidarem com eles, estão exaustos, sobretudo pela necessidade física de uma grande preparação a par da elevada resistência psicológica!

 

Uma das últimas explosões do Rafa aconteceu por causa de uma...ventoinha! e acredito que os avós tenham vivido um turbilhão de emoções enquanto sentiam a fúria dele, preservando ao mesmo tempo a integridade física de cada um dos presentes, e em especial a integridade emocional que sobrevive depois de cada luta.

Sou portanto eternamente agradecida aos meus pais por tudo o que fazem e por tudo o que somam na já longa guerra da hiperatividade. Uma gratidão que um dia gostaria de homenagear de modo mais prático, através de ações concretas como dar-lhes oportunidade de verem nos netos adultos, pessoas felizes e equilibradas - porque graças a eles, a PHDA é tratada com o devido respeito.

 

 

 

postado energia-a-mais às 09:02

Quarta-feira, 13 de Outubro de 2010

 

 

ficaram por baixo as expectativas...sou como sempre sincera em relação a tudo, não poderia deixar de o ser neste assunto

 

primeiro porque da mais de hora e meia de entrevista prévia, com muita informação recolhida pela equipa da produção, esperava certamente mais desenvolvimento no programa! o tempo de conversa foi curto e muito direccionado, da história do Rafa apenas foram referidos certos pontos e não tive possibilidade de me alargar sobre o diagnóstico do meu filho, nem sobre o que realmente me levou a ir ao programa

 

segundo, porque como psicólogo, o Dr. Quintino falou essencialmente do geral, não mostrou ter um conhecimento do caso, nem referiu aspectos que teriam mudado em muito a opinião dos espectadores, principalmente não contribuiu muito para a «dismistificação» deste tema

 

E para que não restem dúvidas:

 

o Rafa está diagnosticado há quase 4 anos. Sempre referi neste blog que o relatório médico indicava uma hiperactividade de tipo impulsivo, em grau severo, inserida num comportamento disruptivo (o tal desvio de conduta/comportamento, referido pelo dr. Quintino) caracterizado por um transtorno de oposição/desafio (apontado no programa). Também lhe foram diagnosticadas várias características de outras comorbilidades, ou seja patologias associadas, tais como a bipolaridade, o síndrome de asperger e certas fobias.

Embora o dr. Quintino Aires tenha mencionado várias vezes que hiperactividade nada tem que ver com agressividade (demonstrada no Rafa em muito das suas atitudes) frisando até que muitas crianças estão mal diagnosticadas e tomam medicação sem necessidade (o que reconheço ser verdade em muitos casos), não admitiu que efectivamente, o comportamento de opositor/desafiante (TOD) é uma das comorbilidades mais comuns na hiperactividade deste tipo (impulsivo) surgindo em cerca de 60% dos casos diagnosticados em rapazes (a percentagem diminui um pouco em relação às raparigas) Este aspecto, por exemplo foi focado nos comentários do blog por uma psicóloga, Tânia Silva que tal como uma outra psicóloga assídua a Susana Miranda, reconhecem estes dados e os focaram em outras ocasiões!

Também não referiu nem me deixou referir que a medicação que o Rafa faz para combater as características da hiperactividade, caso esteja a ser tomada sem necessidade, provoca uma reacção ao contrário do esperado, ou seja, numa criança mal diagnosticada, este medicamento, um psicoestimulante, vai provocar alterações comportamentais, tremores, agitação e alterações do sono. Ora, no Rafa, a medicação acalma, estabiliza e torna-o mais receptivo e atento. Devido ao desvio de conduta o Rafa faz medicação combinada.

Na estratégia de tratamento do Rafa, nunca foi posta de parte a ajuda da psicoterapia, pelo contrário! No entanto, sem medicação, seria impossível o meu filho fazer uma vida «normal» tal como - ir à escola, realizar as suas tarefas pessoais, andar mais motivado e menos agressivo!

Por outro lado, quando o dr. Quintino mencionou o «sossego» do Rafa em estúdio, «esqueceu-se» de referir que o meu filhote passou todo o tempo nos bastidores a saltar de bancada em bancada, levou uma psp para jogar mas que passou o tempo a trocar de jogo, ir à janela, voltar e deitar-se no chão, tirar leite e água das máquinas (para os beber tão atabalhoadamente que entornou mais de metade) etc....e que o «sossego» desta criança de nove anos, foi estar a contorcer-se na cadeira...(ha...e tinha tomado um comprimido rubifen, antes da entrada no estúdio porque senão nem o conseguia levar, aliás ele queria ir a milhentos outros sítios que íamos vendo no caminho e por vontade dele, teriamos feito dezenas de desvios...)

 

A imagem que passou foi a de um delinquente em potência que apenas poderá ser salvo pela psicoterapia, algo que não tenho dúvidas ser imprescindível para treino de comportamento e atitudes mas que por experiência própria, sei que nunca terá resultados num caso de hiperactividade genetica como o do Rafa, se aplicada por si só!

 

Por último e porque não quero ser injusta, dou o beneficio da dúvida às motivações do dr. e aguardar o tal telefonema da sua equipa para me darem a conhecer os psicoterapeutas recomendados aqui no norte, bem como o trabalho que propõem fazer com o Rafa.

 

A todos os que viram o programa, ou mesmo não tendo visto, passaram por cá e nos deixaram palavras de encorajamento, o meu OBRIGADA. Se exponho a minha privacidade e sobreudo a dos meus filhos em alguns orgãos de comunicação, é sempre no intuito de conseguir que a divulgação do tema, traga ajuda a muitos pais e crianças mal entendidos. Ajuda essa que procurei durante mais de 4 anos e que não obtive em qualquer organismo ou pessoas, excepção feita à Linda Serrão através da APCH, cujo trabalho válido deveria ser mais apoiado!

 

 

 

postado energia-a-mais às 09:31

Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010

 

Uma criança desafiadora não é fácil....

 

Na terceira consulta que fizemos com o neuropediatra, o relatório clínico do Rafa traçava um diagnóstico de hiperactividade de tipo impulsivo em grau severo, inserido num comportamento disruptivo de oposição/desafio

A mim só me apetecia perguntar ao médico «tá a brincar, certo doutor?»


É comum que crianças com transtorno de hiperactividade e défice de atenção (THDA) apresentem também outros problemas. As patologias que surgem habitualmente associadas ao THDA são os comportamentos de desafio e oposição, ansiedade, transtornos de conduta, tiques e perturbações do humor. Assim, os comportamentos de oposição constituem a maior percentagem de casos.

O que é e como se manifesta
O transtorno de oposição e desafio (TOD) pode ser definido como um padrão persistente de comportamentos negativistas, hostis, desafiadores e desobedientes observados nas interacções sociais da criança com adultos e figuras de autoridade de uma forma geral, sejam pais, tios, avós ou professores. As crianças com TOD facilmente perdem a paciência, discutem com os adultos, desafiam e recusam obedecer a solicitações ou regras, incomodam deliberadamente os outros, não assumem os seus erros e estão quase sempre irritadas.
Devido aos sintomas mencionados, existe nestas crianças ou adolescentes um prejuízo significativo no funcionamento social e académico. Estão constantemente envolvidas em discussões e são muitas vezes rejeitadas pelos colegas de escola, o que lhes traz problemas ao nível da auto-estima.
Os sintomas iniciam-se antes dos oito anos de idade e esta perturbação apresenta-se, em número significativo de casos, como um precursor do transtorno de conduta, forma mais grave de perturbação disruptiva do comportamento.

A importância das regras
Russell Barkley, um dos mais conceituados especialistas na área da hiperactividade, considera que o comportamento de oposição se encontra associado ao transtorno de hiperactividade, sendo este o responsável pelas dificuldades da criança na regulação das emoções. Por outro lado, as famílias de hiperactivos parecem ter elas próprias dificuldade em gerir as emoções, pelo que não conseguem ensinar às crianças como fazê-lo adequadamente. Estas crianças precisam, então, de ser educadas com alguma firmeza, temperada de afecto.
Segundo Barkley, sempre que os pais queiram dar uma ordem devem posicionar-se perto da criança, com voz firme, sem deixarem de ser amorosos, usando o verbo na forma imperativa. De preferência há que olhar directamente nos olhos da criança e, se houver resistência, socorrerem-se de uma discreta pressão física (segurar-lhe no braço, por exemplo). Há que evitar retardar ou desistir de uma ordem quando esta já foi proferida.

Um aspecto de enorme importância prende-se com a consistência entre o casal, ou seja, o pai e a mãe devem esforçar-se por ter a mesma atitude, caso contrário essa desarmonia será facilmente detectada pela criança e até usada para manipular os progenitores. Face a este quadro, torna-se muitas vezes necessário um acompanhamento psicológico. O psicólogo pode ajudar a criança a lidar com a frustração e a encontrar canais mais saudáveis de escoamento dos sentimentos de hostilidade, ao mesmo tempo que se torna necessário ajudar os pais a lidar por essa difícil e desgastante tarefa.

O que os pais não devem fazer
O conhecimento de certas estratégias comportamentais pode ajudar muitos pais a corrigirem hábitos que, de uma maneira ou de outra, acabam por contribuir para o aumento da tensão familiar. Vamos referir alguns aspectos que devem ser evitados porque estimulam a desobediência.
• Dar ordens à distância - Falar de um quarto para o outro (onde está a criança) é algo completamente ineficaz pois ela irá manter-se desatenta e sem cumprir a ordem. As ordens têm de ser dadas presencialmente, assegurando-se que ela as compreendeu.
• Dar ordens vagas - Pedir à criança que se comporte "como um bom menino" não clarifica o que se espera e o que não se espera que ela faça. Há que ser o mais concreto possível!
• Dar ordens complexas - Havendo de antemão dificuldade em fixar na memória de curto prazo as actividades a fazer, solicitar a execução de várias tarefas só servirá para tornar a sua realização menos provável.
• Dar ordens com antecedência - Ordenar a uma criança com TOD que, quando acabar de brincar, tem de arrumar os brinquedos, só serve para interromper o prazer que ela está a ter, já que as ordens serão esquecidas.
• Dar ordens acompanhadas de muitas explicações - Muitos pais, de modo a evitar parecer autoritários, perdem-se em argumentações sobre as necessidades do cumprimento das ordens. Como a criança náo consegue estar atenta durante muito tempo, é bastante provável que no final da explanação do progenitor ela já não se lembre da maior parte do que foi dito.
• Dar ordens sob a forma de pergunta - Perguntar "podes ir agora fazer os trabalhos de casa ?" deixa um espaço livre para que a criança diga que não. As ordens devem ser claras e assertivas.
• Dar ordens em tom ameaçador - É frequente que, antevendo a batalha que vai ser travada após uma solicitação, os pais dêem a ordem já em tom de ameaça, como se a recusa já tivesse ocorrido. Assim, a criança vai tender a imitar o progenitor e a reagir no mesmo tom, uma vez que o clima de hostilidade já está instalado.

 

Tudo o que é transcrito acima coincide com o diagnóstico e todas as estratégias defendidas são realmente eficazes (nem sempre as consigo pôr em prática mas por norma e de modo preseverante, se o faço resulta em 99,9%) - um testemunho real do meu dia a dia!

Aconselho todos os pais com crianças assim diagnosticadas a usarem estas dicas, pois só assim conseguem manter um bom ambiente familiar!

 

 

 

 

sinto-me: mãe desafiada!
postado energia-a-mais às 07:55

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